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22.6.07
inspiração
Pediu o arroubo das boas idéias ao puxar, insistentemente, os cabelos. Mas só tentava e lembrava, meu Deus, tantos dias meses anos perdidos por becos sombrios da própria cabeça, tudo uma barra. Nascera uma barra. O primeiro bicho que viu na vida foi um rato branco, tão belo que apertou a barriga até parar de mover o fucinho. Criou vergonha um dia e parou com isso, depois de dois preás mortos e quase um gato. Mas nem era de todo barra. Hoje avisava quando qualquer um deles se aproximava. - Sequer pisem o rabo, ou machuquem! - Horror lembrar o rato entre os dedos, sem nunca conseguir seu perdão. Talvez a barra fosse aí. Tanta rigidez que estalava o pescoço. Puxou ainda mais os cabelos à procura de novas idéias, algo que saísse dos pensamentos escuros, da lembrança do roedor. - Quando crescer, quero me permitir a tolice. - E de tanto puxar os fios, a cabeça clareou. Queria pensar em flores, e pensou. Pela primeira vez, como quem aprende a andar, dançou.
"Você é engraçado, meu caro, tem um medo tão louco de se iludir a si mesmo que recusaria a mais bela aventura do mundo para não se arriscar a uma mentira."
(sartre; a idade da razão)
diana melo - 18:12 [+]
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