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27.10.08

o caderno rosa dela

O caderno de capa rosa tinha uma hello kity no meio. Ele viu. Deixa que eu levo, disse quando o sinal de pedestres abriu. Ela agradeceu com um sorriso, que ele entendeu que era tímido, e tímido também ficou. Procurou a cabeça agigantada da hello kity. Abriu o braço esquerdo como um triângulo e pediu que ela enfiasse o braço. Vamos casar, ele pensou em dizer, enquanto ela se limitava a sorrir e ser guiada por ele, em confiar o caderno rosa ao seu braço direito. Os outros corriam, esbarravam e gritavam que o tempo era curto, e eles sorriam lentos, vagarosos, a caminho do altar. Cada faixa branca no chão levava pequenos passos a caminho do outro lado da rua. Pareciam tão felizes, tão serenos, que nem perceberam quando os carros começaram a andar outra vez. O triângulo se desfez para apertar a mão dela e beijar. Felizes, serenos e vagarosos, eles se despediram do outro lado da rua. Tão feliz que estava, ele olhou como se quisesse guardar o momento, e fugiu mesmo sereno. Tão lenta que ela estava, não percebeu sua mão sem o caderno rosa.

diana melo - 17:30 [+]
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