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21.1.09
Enquanto caminhava, suas pernas carregavam dois pesos, e tudo o que pensava enquanto passava por carros, postes, pessoas, cachorros sujos, postes, pessoas e carros sujos era que guardava ainda um sentimento ruim. Algo como uma corrente amarrava e pesava o movimento dos passos. Depois de esbarrar em dois cahorros sujos e incontáveis pessoas, carros e postes sujos, lembrou da semana passada inteira. Não houve um dia em que se sentiu à vontade. Não sabia se o incômodo era o vizinho no trabalho, o chefe, o sujeito que cruzava quando ia almoçar no self-service, ou ele mesmo. Mas mal-estar por mal-estar, não interessava a culpa, ele sentia. Não poderia nunca, a passos curtos, ser o que seu chefe esperava, não poderia nunca ser o que a mulher cobrava, nem poderia nunca ser o companheiro de trabalho que o colega queria, ele não poderia nunca. Sentado num banco perto a uma praça que passava sempre, circulando carros, pessoas e cachorros sujos, ele pôs a mão na testa e lamentou. Lamentou nunca poder ser outro que não ele mesmo. Lamentou e lamentou tanto que quando levantou e cruzou aqueles carros e pessoas e alguns cachorros sujos, já podia andar melhor, com as pernas que não doíam. A vida ensinou tarde ou cedo que nada resolvido, já se acertou. Ele não poderia nunca ser o que o chefe, o amigo, a mulher, o colega, as pessoas e os cachorros sujos esperavam encontrar, e nada mais pesava.
diana melo - 13:55 [+]
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