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21.2.09

Eram por volta de onze horas quando o despertador tocou. Ele finalmente iria conhecê-lo. Alegria e ansiedade lhe tomavam os nervos. Como quem vai conhecer aquele grande amigo do melhor amigo que tanto fala como têm a ver, ele se vestiu apressado. A mulher não o veria quando passasse sorrateiro pela sala, nem diria nada às crianças, nem iria ao trabalho. Ele iria conhecê-lo. Pisou fora de casa e caminhou dois quarteirões até ser tomado pela vertigem do desconhecido. Aquelas ruas largas não eram as mesmas do interior que deixara há duas semanas. Os carros e os ônibus só confundiam mais quando pensava em como chegar lá. Não saberia como fazer, mas caminhou obstinado. Nem ônibus, nem direção, nem caminho. Ainda assim, precisava conhecê-lo. Aos tantos passos, as ruas e os prédios eram outros, tão outros, que nunca avistara. Sentia dor e alegria, um rubor temeroso da liberdade que o acompanhava. E não parava nunca. Algumas vezes, diminuía os passos para não esbarrar em alguém, ou mesmo para tentar sentir e imaginar o cheiro, pensando ser como dos riachos quando recebem o vento em suas águas, cheiro adocicado de ervas. Só sentia o do suor que descia pelos braços. Resolveu abordar uma mulher:
- Onde encontro o mar?
Assustada, ela apontou para frente.
Ele sorriu e seguiu, seguiu, seguiu até anoitecer e perceber que estava completamente perdido.

diana melo - 17:39 [+]
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